Chevening

O primeiro mês no Reino Unido…

Na manhã fria de sábado, 15 de Setembro de 2018, desembarcava no Aeroporto de Heathrow em Londres com uma mala, uma pasta de costas e milhares de questões e incertezas sobre o meu futuro. Entrava num mundo novo e desconhecido. Por dentro me questionava: “E agora?”

Embora já tivesse o visto estampando no meu passaporte, passar pelos serviços de migração e colocar os pés no território britânico seria o culminar de longo um processo que iniciou em 2017 quando cliquei no botão apply no site do Chevening.

Mas prontos. Chegara a minha vez. Next Please! Bem confiante lá fui..  até a cabine da oficial de imigração. Entreguei o passaporte e falei para mim mesmo:

Recebi a bolsa do Governo Britânico, passei por tantos testes e entrevistas e não será aqui que a minha aventura irá terminar.

A moça pegou no meu passaporte, conferiu os dados, virou-se para mim e perguntou se era a minha primeira vez no Reino Unido.

Sim. Respondi.

Porque o meu visto era de estudante, questionou para que universidade me deslocara e bem calmamente respondi.

University of Sussex, in Brighton.

Ela virou-se e disse:

– Brighton é uma cidade linda e acredito que irás gostar. Traduzindo, Bem Vindo ao Reino Unido!

A primeira semana, considerada a semana de indução na universidade, passou bastante rápido. É a semana em que os alunos completam os seus registos académicos, recebem os seus carões de estudante, levantam o Biometric Residence Permit – BRP que é um documento que atesta o estatuto de residente (substitui o passaporte), tratam da abertura da conta bancária, introdução aos cursos, envolvem-se em caminhadas pela universidade e biblioteca por forma a conhecer todos os os seus compartimentos e modo de funcionamento para além de passeatas pela cidade.

Passeatas pelas ruas de Brighton

A segunda semana foi bastante desafiante. Foi pela primeira vez que que sentara numa sala de aulas num país estrangeiro e recebendo as lições numa língua estrangeira.  A maior parte da turma composta de aproximadamente quarenta estudantes oriundos de vários países do mundo também estavam ávidos e ansiosos, pelo facto de não ser o único naquela situação.

Os primeiros dias são de adaptação e integração.

Os primeiros dias são pouco difíceis porque você não conhece quase ninguém. No meu caso a chave de superação foi o meu envolvimento em diferentes grupos de actividades, tais como as passeatas em grupo pela cidade, práticas de desporto, entre outras. São momentos em que finalmente você começa a conhecer pessoas que compartilham de aspectos e visões comuns. E na sala de aulas, a chave foi participar de forma activa. Passado um mês, aprendemos a construir uma família de amigos e companheiros de turma.

Na terceira semana, o Chevening organizou um encontro de confraternização com os bolseiros Chevening na Universidade de Sussex. Este grupo é composto de cerca de cem estudantes. Foi um momento de particular interesse porque pude conhecer os bolseiros africanos na universidade e passei a integrar a African Society, uma espécie de Associação dos Estudantes Africanos.

Encontro dos bolseiros Chevening na Universidade de Sussex

Na quarta semana a Universidade organizou um evento de recepção dos estudantes Internacionais na Universidade de Sussex, onde pude cementar as relações de amizade com estudantes de vários outros países, desde Cuba, Equador, México, Índia, Paquistão, Iémen, para não dizer, do mundo inteiro.

Nas falésias do Seven Sisters, Brighton. Momento ideal para relaxar após semana de estudos intensos.

Na quinta semana, precisamente no dia 20 de Outubro, o Chevening organizou o maior evento de todos até aqui.. o Chevening Orientation. Tal reuniu no mesmo espaço cerca de mil e quinhentos estudantes de cerca de 144 nacionalidades. Não são quaisquer pessoas. São individualidades que vinham criando impacto e transformando as suas comunidades e não só. Aqui os participantes engajaram-se em sessões de networking, partilha das suas riquezas culturais para além de secções fotográficas.

Os discursos também marcaram o evento. Um deles foi de Karan Bilimoria, um empresário indiano que apelou aos bolsistas a não se limitarem em ser bons estudantes, mas que sejam mais atrevidos, que inovem e transformem.

O Chevening Orientation foi um momento marcante. A jornada pelo Chevening tem estado a ser uma oportunidade única e fantástica e sobretudo difícil de descrever em um post de um blog. Mas aí vai um pouco da minha experiência.

15 Comentários

  1. As dificuldades vendidas trasformam se em sucessos. Depois da tempestade vem a bonança

  2. Violeta Bulule

    Tomás!um ser admirável ,tenho a certeza que você vai brilhar .Estou sedenta de poder aprender com você .
    Votos de tudo do bom.

  3. Meu amigo, aproveite e aprenda com cada aventura.

  4. Bem dito, parabéns Tomas

  5. Rivas Sithoe

    Força 💪 bro… Abraço!

  6. Uau! Congratulations Tomás.

    May your journey be bright and full of accomplishments🤗

  7. Boa. .. Tomás! Que bom!
    Sempre tive esta curiosidade. Vou aprender contigo p quando chegar a minha vez. Abraços cheio de saudades!!

  8. Congratulation brother!! I wish you a nice jurney, cause “You are still travelling”!! I’m waiting for your next experientes, they are motivational.

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