Namanhumbir: Da benção de Deus à maldição do Governo

As enormes quantidades de rubi descobertas em Namanhumbir, há sensivelmente cinco anos transformaram este posto administrativo de Montepuez, Província de Cabo Delgado,  num verdadeiro El Dourado. Garimpeiros oriundos de diversas partes do país e de África arriscam suas vidas quase que diariamente em busca do rubi numa área concessionada a Montepuez Ruby Mining (que conta com 75% das acções da Gemfields) para mais tarde serem vendidos a compradores, na maior parte de origem asiática.

O trajecto para Namanhumbir é feito em três horas aproximadamente, para quem parte de Pemba. São 170 km de distância. O primeiro cenário que se vislumbra é o negócio informal e a movimentação de inúmeros jovens cujos vestes denunciam a actividade que praticam… o garimpo. Fora isso, o que se vê é a pobreza por tudo quanto é lado.

Um nativo com o qual cruzamo-nos contou que acompanhou todo o processo desde a instalação da empresa MRM ao incumprimento de várias promessas feitas as comunidades locais. Desde hospitais, casas, machambas, corrente elétrica, entre tantas outras, muito pouco foi feito até então. “Deus abençoou-nos com rubi. O Governo e empresa exploram essa riqueza sem conseguir deixar benefícios para a comunidade“, afirmou.

Em três anos a operar em Namanhumbir, a Gemfields realizou sete leilões, tendo arrecadado $225 milhões USD. Entretanto, as únicas coisas palpáveis fruto da exploração do rubi tratam-se de uma nova escola primária e uma clínica móvel. De resto, ficam as marcas da pobreza.

Numa barragem abandonada usada para a lavagem da areia pelos garimpeiros, entre os quais, crianças

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