O grito dos reassentados

Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.

Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.

(José Craveirinha – Grito Negro)

A poucos quilómetros da vila sede de Moatize, existe uma mina de carvão abandonada há sensivelmente 8 anos. Dizem os locais que a mina pertencia a uma empresa alemã e que hoje é detida por garimpeiros que usam-na para o seu ganha-pão extraindo carvão. O que mais chama atenção nessa mina é que ela arde sem cessar, faça chuva faça sol, o fogo não apaga. “Mas o que essa mina tem a ver?” Deve estar a perguntar-se. Esta mina representa a província de Tete, o seu passado, o seu presente e o seu futuro. Os patrões vieram, exploraram, levaram toda riqueza e foram-se embora.

Descobri essa mina abandonada quando na companhia de uma comitiva ia trabalhar com as comunidades locais, trabalho esse que consistia em ampliar os seus clamores e o seu grito de socorro. Da visita saiu um vídeo onde as comunidades contam na primeira pessoa o antes e o depois da chegada das multinacionais. Quando estas chegaram, fizeram promessas de vida boa. Na voz das comunidades tudo não passava de falsas promessas. Descobriram que antes a vida era melhor que agora.

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